A estrutura de serviço do SIA é baseada em outras irmandades de 12 Passos e é guiada pelos conceitos de serviço a seguir. Esses 12 Conceitos de Serviço propostos foram aceitos como um rascunho na Conferência Mundial de Serviço de 2009. As explicações de cada conceito foram mantidas breves para que pudessem ser apresentadas de forma prática a todos os membros, para que se coletasse suas opiniões a respeito e então votassem na adoção deles. Embora o enunciado dos Conceitos não possa ser alterado sem um voto de maioria expressiva, as explicações podem ser esclarecidas e ampliadas em futuras Conferências, refl etindo as sugestões dos membros como um todo. Da mesma forma, uma vez adotados como os Conceitos de Serviço ofi ciais do SIA, eles poderão ser incluídos em um Manual de Serviço do SIA, com explicações bem mais completas compiladas pelos Comitês da Conferência.
1. A responsabilidade e autoridade máximas pelos serviços mundiais do SIA pertencem à
consciência coletiva de toda a nossa irmandade.
O Conceito Um refl ete a Tradição Dois, que diz: “Nossos líderes são apenas servidores de confi ança; eles não governam”. Em vez disso, a consciência coletiva dos nossos grupos é a autoridade fi nal. Nossos líderes têm apenas a autoridade que lhes é designada. Atualmente, o método para tomar decisões e fazer mudanças é através da consulta individual aos grupos. Conforme a Conferência Mundial de Serviço (WSC) se desenvolve plenamente, representantes de grupo delegados podem, por meio da WSC, ser encarregados de refl etir a voz do grupo que representam. À medida que os membros compartilham a responsabilidade pelo serviço no SIA, eles elegerão servidores de confi ança para representá-los.
2. A Conferência Mundial de Serviço do SIA e seus braços de serviço tornaram-se, para
quase todos os propósitos práticos, a voz ativa e a consciência efetiva do SIA como um
todo.
O Conceito Dois enfatiza que os grupos, através da WSC, são uma autoridade forte e separada do Escritório Mundial de Serviço (WSO). Isso serve para proteger o SIA como um todo. O Conceito Dois garante que o corpo representativo dos membros do SIA (a WSC) continuará existindo, independentemente da condição, estabilidade ou força do WSO. O corpo do SIA precisa de dois braços fortes para continuar sua missão: o WSO e a WSC. Como uma entidade única e separada do WSO, a WSC, por meio de sua estrutura e braços de serviço, deve refl etir a voz representativa dos membros do SIA. A Conferência Mundial de Serviço possui a responsabilidade e autoridade delegadas a ela pelos grupos, para que as vozes dos grupos individuais do SIA possam ser ouvidas
3. O direito de decisão torna possível uma liderança efetiva.
O Conceito Três reconhece que um servidor de confi ança delegado, representando um grupo, pode ser confi ado para tomar decisões no nível do Intergrupo e da WSC. Se ele/ela não pudesse, o representante do grupo simplesmente seria apenas um “mensageiro” e incapaz de participar de discussões efetivas. Este conceito signifi ca que um representante
de um grupo está familiarizado com a consciência coletiva de seu grupo e com as Tradições do SIA e, assim, refl etirá devidamente a intenção do grupo que representa. O Conceito Três expressa que os grupos podem confi ar que seus representantes em serviço, dentro do escopo de sua autoridade delegada, podem decidir como representar seus grupos de forma responsável, com a orientação de um Poder Superior amoroso. Esse tipo de discrição na liderança é a essência do “direito de decisão". Enquanto o Conselho de Curadores desempenha um papel de liderança em questões legais e administrativas, a WSC e seus representantes delegados são encarregados de um papel de liderança em questões de políticas, princípios e procedimentos do programa do SIA.
4. A participação é a chave para a harmonia.
É importante que os líderes de serviço façam todo o possível para incluir membros que hesitam em participar. O serviço ou a participação contínua de um membro nunca deve dar a impressão de que um membro é superior a outro. Não existe privilégio no SIA. Todo esforço deve ser feito para atrair a voz de cada membro. É um imperativo espiritual que todos pertençam com igualdade. Este Conceito sugere que deve haver um equilíbrio entre autoridade e responsabilidade. Na WSC, esse equilíbrio é representado na medida em que o WSO e o Conselho de Curadores têm voz, assim como os representantes de grupos designados para a WSC. Os Comitês da Conferência também devem refl etir um equilíbrio representativo. Todo esforço deve ser feito para que os Comitês da WSC sejam bem representados por membros do SIA. No entanto, atualmente, os Comitês da Conferência não têm voto na WSC, exceto em questões de procedimento que não afetam diretamente os grupos, e não têm autoridade para votar em questões importantes do SIA que refl etem a totalidade dos membros do SIA, seja na WSC ou ao longo do ano. Eles servem, através de discussões informadas e reuniões ao longo do ano, ao valioso propósito de cumprir as diretrizes dos grupos, tiradas dos resultados das consultas aos grupos, e propor boas práticas e mudanças úteis na WSC.
5. Os direitos de apelação e petição protegem as minorias e asseguram que estas sejam
ouvidas.
Ser ouvido é extremamente importante para os sobreviventes. Portanto, é importante, ao prestar serviço, buscar e declarar a opinião da minoria, e conceder tempo para que um diálogo produtivo ocorra. Os líderes precisam ter um cuidado especial para não desconsiderar membros por terem opiniões minoritárias e, potencialmente, retardar o processo. Este é um Conceito fortalecedor e protetor que ajuda os membros a refl etir sobre a tomada de decisões, evitando assim que decisões imprudentes ocorram. A defesa do SIA contra decisões apressadas e desinformadas depende de ouvir a voz da minoria. Cada indivíduo tem o direito de apresentar um apelo por escrito referente a qualquer decisão, e a entidade que recebe o apelo é obrigada a considerá-lo.
6. A Conferência reconhece a responsabilidade administrativa e legal primária do Conselho de Curadores do SIA.
Assim como os membros confi am a seus representantes delegados o “Direito de Decisão” (Conceito Três) na Conferência Mundial de Serviço (WSC), a WSC deve permitir que o WSO (Escritório Mundial de Serviço) e seus Curadores tenham a autoridade necessária em todas
as questões legais, administrativas e fi nanceiras que afetam o funcionamento diário do WSO em seu papel como a face pública do SIA e como guardião de suas Tradições. Como a responsabilidade do WSO e de seu Conselho de Curadores abrange muitas áreas, eles devem receber autoridade correspondentemente sufi ciente para gerenciar prudentemente o WSO e adquirir quaisquer recursos necessários e fi nanceiramente viáveis para operar as atividades diárias do WSO.
7. Com base em nosso estatuto e regimento interno, o Conselho de Curadores tem direitos legais, enquanto os direitos da Conferência são baseados nas 12 Tradições.
Este Conceito, na verdade, confere autoridade igual ou superior à WSC, que é composta pelos representantes delegados dos grupos, sobre todas as questões que não são diretamente legais e administrativas, enquanto ambas as entidades estão obrigadas a respeitar as Tradições do SIA. Como consciência coletiva dos grupos do SIA e seus membros, a WSC tem uma ampla gama de autoridade. Embora a WSC confi e a autoridade administrativa ao WSO, conforme descrito no Conceito 6, a WSC, como o corpo representativo dos grupos, possui todos os outros poderes, sob a proteção das Tradições do SIA.
8. O Conselho de Curadores supervisiona a gestão do SIAWSO para assegurar um funcionamento consistente e efi caz.
Este Conceito signifi ca que o Conselho de Curadores do SIA confi a ao Escritório Mundial de Serviço, seu Diretor, seus futuros comitês executivos e seus servidores a continuidade das operações rotineiras do WSO e a tomada de decisões necessárias para a gestão rotineira diária do WSO. O WSO é encarregado de uma sólida gestão fi nanceira e deve, para fi ns informativos, preparar um relatório fi nanceiro para apresentar em um dos seguintes tipos de reuniões: a WSC anual ou uma reunião aberta do Conselho de Curadores do SIA. A reunião aberta do Conselho de Curadores do SIA pode ser realizada em conjunto com a WSC ou em um horário anunciado separadamente. Este Conceito permite a formação de comitês executivos do Escritório Mundial de Serviço que são separados em função dos comitês da WSC, mesmo que possam ter nomes semelhantes (como o Comitê de Finanças da WSC e o Comitê de Finanças do Conselho de Curadores do WSO). O propósito de quaisquer futuros comitês executivos do WSO seria trabalhar com o Diretor do SIA em relação à sólida gestão do SIA como um todo. Quaisquer futuros comitês executivos do WSO seriam responsáveis, sob o apoio do Diretor do SIA, pela gestão diária do WSO. Os comitês da WSC podem oferecer conselhos e sugestões, mas não tomam decisões sobre a gestão rotineira do Escritório Mundial de Serviço.
9. Uma boa liderança de serviço, em todos os níveis de serviço, é indispensável para o futuro funcionamento e segurança.
Somos todos lembrados de que o anonimato é o fundamento espiritual do programa. Embora certos conjuntos de habilidades (como habilidades de informática) sejam necessários para determinados encargos, não é relevante saber o treinamento, a educação ou a experiência profi ssional de uma pessoa em sua vida fora do programa do SIA ao selecionar bons líderes para os muitos encargos de serviço no SIA. Sua experiência de
recuperação no SIA, o serviço previamente prestado no SIA, a frequência às reuniões e a compreensão das Tradições do SIA são o mais importante.
Liderança no SIA signifi ca não assumir toda a responsabilidade por uma função de serviço; assim, o serviço se torna menos um fardo. Todos os membros devem se esforçar para remover nossa própria agenda de um programa de serviço e ouvir as opiniões de todos os membros. Compartilhar as responsabilidades e pedir opiniões, mesmo aquelas que estão em forte contraste com a maioria, fortalece a recuperação e a irmandade. Embora o Conselho de Curadores assuma a liderança primária, ele nunca deve advogar por decisões que vão contra as Tradições do SIA. Enquanto os Curadores dão o exemplo de liderança, é importante ter em mente o seguinte: a maioria dos sobreviventes de abuso sexual na infância desenvolveu técnicas de sobrevivência adaptativas que foram úteis quando eram jovens.
Três características de sobreviventes que podem atrapalhar o exercício de uma boa liderança são: perseverança, reagir rapidamente como indivíduo e assumir o papel de cuidador. Essas características, por si só, não são necessariamente ruins. Ser capaz de perseverar em circunstâncias difíceis é admirável e algo a ser celebrado. Mas perseverar em um desacordo com outro sobrevivente, sem ser capaz de recuar ou se afastar para ver um ponto de vista diferente, pode ser contraproducente.
Reagir rapidamente para sair de uma situação ruim e usar técnicas inteligentes de resolução de problemas para alcançar rapidamente um objetivo são qualidades admiráveis também. No entanto, quando o objetivo não está claro ou quando um objetivo pode interferir em um quadro maior, tentar alcançar rapidamente um objetivo acima de todos os outros, sem obter o consentimento dos outros do grupo, pode realmente criar confl itos e atrasar o progresso. Erros sempre são possíveis quando todos os pontos de vista não são considerados.
Por fi m, ser cuidador dos outros e entender as necessidades das pessoas pode ser muito útil em uma crise. Mas tentar prever o que outros sobreviventes precisarão em uma situação, sem dedicar tempo para consultar os outros sobreviventes e perguntar sobre suas percepções, pode levar a resultados improdutivos. Um bom líder reconhece a necessidade de todas as pessoas poderem pensar por si mesmas e não impõe um ponto de vista particular a outros sobreviventes
10. Cada responsabilidade de serviço deve corresponder a uma autoridade de serviço igual, com o escopo de tais responsabilidades e autoridade bem defi nido.
Uma autoridade claramente defi nida dá aos servidores de confi ança a liberdade de tomar decisões e delegar autoridade quando necessário. Confl itos pessoais podem ser evitados por meio de uma comunicação clara sobre qual comitê, pessoa ou braço de serviço é responsável por qual tarefa. Desde que as Tradições e Conceitos do SIA sejam seguidos, e nenhum grupo, indivíduo ou entidade ameace a segurança, viabilidade e existência do SIA, a autoridade máxima existe em vários níveis no SIA. Primeiro, ela repousa nos grupos por meio de suas Consciências de Grupo; em seguida, no nível da WSC por meio de representantes delegados com o Direito de Decisão; depois, no nível do WSO por meio do Conselho de Curadores que guarda as Tradições e protege a existência do SIA; e,
fi
nalmente, no nível do WSO por meio do administrador do SIA, que cuida da gestão do WSO e da percepção mundial do SIA.
11. A composição, qualifi cações, seleção, responsabilidades e deveres dos Comitês Mundiais de Serviço, membros do Conselho, executivos, equipes e consultores devem sempre ser assuntos de muita atenção, e todo cuidado deve ser tomado ao avaliar e aprovar tudo.
No Escritório Mundial de Serviço, novos comitês serão criados e defi nidos conforme necessário. É importante, seguindo os Conceitos 6 e 10, que o trabalho do Comitê nunca interfi ra nas responsabilidades cotidianas dos membros da equipe. Também é importante que todos os Presidentes de Comitê estejam familiarizados com as Tradições e Conceitos do SIA e os sigam em todos os sentidos. O funcionamento e a composição desse conjunto de Comitês não devem ser confundidos com os dos Comitês da WSC, embora seus deveres possam, às vezes, exigir contribuições mútuas. De acordo com o Conceito 10, medidas cuidadosas devem ser tomadas para garantir que as duas entidades possam compartilhar informações conforme necessário e trabalhar lado a lado, com toda a autoridade e responsabilidade claramente defi nidas.
12. Todos os níveis de serviço do SIA devem observar o espírito das Tradições do SIA, cuidando para que nunca se tornem base de riqueza ou poder perigosos; que seu princípio fi nanceiro seja o uso prudente de fundos operacionais e reservas sufi cientes; que nenhum membro seja colocado numa posição de autoridade absoluta sobre os outros; que todas as decisões importantes sejam tomadas por meio de discussão, votação e, sempre que possível, por unanimidade substancial; que suas ações nunca sejam pessoalmente punitivas nem causem controvérsia pública; que nunca pratiquem atos de governo, e que, assim como a Irmandade à qual servem, sempre permaneçam democráticos no pensamento e na ação.
O Conceito 12 é adaptado das Garantias Gerais do Al-Anon. Embora possam parecer arcaicas e rígidas em sua redação, as palavras usadas resistiram ao teste do tempo e devem ser mantidas. As explicações que se seguem simplifi cam a linguagem.
Nunca devemos tomar decisões que possam arriscar a sobrevivência a longo prazo da irmandade, como não manter uma reserva prudente ou acumular grandes quantias de dinheiro em busca de poder. Desde que as demais Tradições e Conceitos do SIA sejam seguidos, nenhuma ação da Conferência deve resultar em incitar controvérsias públicas, nem a Conferência deve tentar realizar atos de governo sobre o restante da irmandade.
Alcançar unanimidade ao tomar decisões e conceder tempo para discussão estão relacionados ao Conceito 4, “A participação é a chave para a harmonia”. Quando se concede tempo para que diferentes opiniões sejam expressas, a irmandade só tende a se fortalecer. O tempo é um componente necessário para que este princípio funcione. Nunca devemos tentar apressar decisões.
Ao seguir cuidadosamente o Conceito 5, em termos de respeitar opiniões minoritárias e defi nir bem as estruturas de serviço, nenhum membro será colocado em uma posição de autoridade irrestrita sobre outros membros. Por fi m, ao se reunir regularmente e solicitar
representação contínua dos grupos, a Conferência pode trabalhar para permanecer democrática em pensamento e ação.
