
História do SIA
Em uma noite de janeiro de 1982, em torno de uma mesa de cozinha em Baltimore, três mulheres se reuniram e conversaram sobre o assombroso abuso sexual infantil que sofreram de membros de suas famílias (pai, mãe, cunhado) décadas antes. Utilizando o modelo de recuperação dos 12 Passos do Alcoólicos Anônimos, elas reconheceram sua impotência em relação às suas histórias, pediram ajuda a um Poder Superior amoroso para fazer as pazes com o passado e começaram a se recuperar e prosperar no presente. Elas começaram a se libertar da vergonha e da autoculpabilização, e a viverem suas vidas sem o peso do abuso nas costas. Naquela noite nasceu um novo programa de ajuda mútua de 12 Passos: os Sobreviventes de Incesto Anônimos.
Atualmente, milhares de pessoas em vários países vêm se conectando na busca por recuperação, por intermédio de reuniões presenciais, on-line ou por telefone, abrangendo uma ampla faixa etária, dos 18 aos 118 anos. Elas se reúnem para falar sobre o que antes era inexprimível: a realidade de terem sido sexualmente abusadas na infância por aqueles que deveriam cuidar delas e protegê-las. Guiados pelos 12 Passos e 12 Tradições do SIA, esses sobreviventes em recuperação servem seus próprios grupos fornecendo apoio mútuo. O SIA não tem a pretensão de substituir terapia ou qualquer outro serviço profissional necessário. A mensagem do SIA é clara: o sobrevivente não é o culpado pelo abuso, não está sozinho e há ajuda à sua disposição. Juntos, eles podem se recuperar.
Não existe um perfil padrão de membro do SIA; são pessoas de diversas raças, etnias, religiões, posicionamentos políticos, estados civis, orientações sexuais e graus de instrução ou deficiência. Seus abusadores podem ter sido qualquer membro da família, amigo da família, líder religioso, professor, mentor, outra criança ou adolescente, ou qualquer um que traiu a inocência e a confiança da vítima. O SIA define o incesto de maneira ampla. Os companheiros nas reuniões compartilham dificuldades relacionadas à intensa raiva, depressão, vícios e compulsões, perfeccionismo, isolamento, pensamentos suicidas e relacionamentos problemáticos com a família, cônjuges ou parceiros e figuras de autoridade. As ferramentas de recuperação do SIA constroem uma ponte, conduzindo o sobrevivente para uma nova vida, alicerçada na esperança, autoconfiança e autoestima; ensinando-o a, finalmente, ser gentil consigo e a desenvolver o autoamor.
A cada novo ano, quando a Irmandade se reúne na Conferência Mundial de Serviço, o SIA celebra seu aniversário e reflete sobre sua emocionante história. Um marco importante foi uma carta publicada em 1984 na coluna “Dear Abby”, que trouxe a atenção nacional ao SIA. Membros do SIA também fizeram aparições anônimas em programas de talk show de grande audiência nas décadas de 1980 e 1990, incluindo “Donahue”, “Geraldo”, “Sallie Jessie Raphael” e “People Are Talking”, entre outros. Essas aparições coincidiram com um “despertar cultural”, que fez do tabu de falar sobre abuso sexual infantil algo do passado. Para isso, todos os membros do SIA trabalham juntos para apoiar a irmandade e moldar o futuro promissor do SIA, atendendo às necessidades dos membros ao redor do mundo.
Para mais informações sobre a história do SIA, ouça a cofundadora Linda D. no YouTube em https://www.youtube.com/@survivorsofincestanonymous.
Explicação do Logo (contada pelo designer gráfico responsável)
A imagem que desenhei traz harmonia aos conceitos básicos do programa SIA. Ela fala aos sobreviventes sobre a continuidade da vida. A escada, a escada de Jacó, representa os Doze Passos rumo à revelação e à esperança. A árvore é um símbolo universal da passagem do tempo, e de força e crescimento. O coração representa nossas emoções — desgastadas, mas ainda intactas. Embora às vezes ingênuo, nosso coração agora tem asas.
Conceitualmente, o logo reflete a ideia de mudar a perspectiva de si mesmo: do eu, formado nos dias de incesto (refletido nas raízes da árvore), até o eu de hoje, em recuperação (o coração com asas). Não é algo cirúrgico, austero ou restritivo. Ele convida você, como sobrevivente, a redescobrir a esperança, a transformar seus padrões de interação com seu círculo íntimo — família, amigos e, principalmente, consigo mesmo — e a se abrir para um novo círculo global: seus companheiros sobreviventes.
Ele sutilmente sussurra ao pé do ouvido do mundo: ‘Ei, estamos aqui. Ouça! Ajudamos a nós mesmos por meio da transformação e estamos prontos para ajudar os outros também!’

